Representatividade Feminina na Copa

Semana passada começou a Copa da Russia de 2018, e do dia para noite todos os olhos se voltaram para lá, os noticiários só falam disso. Mas confesso que não acompanhei os preparativos para o evento e não vi o que estava acontecendo. Não sou fã de futebol e não estou por dentro desse “rolê”, apesar disso a união e a torcida que rola nesse período me encantam – Saudades Copa do Brasil – e isso me animou. Torci, gritei e me emocionei nesse último jogo do Brasil, mas o que realmente me chamou a atenção foi a falta de mulheres, narrando, comentando e jogando (CADÊ A COPA DAS MULHERES?).

gif de jogadoras de futebol comemorando

 

A Copa é um evento masculino feito de homens para homens. E falta representatividade feminina!

É difícil exigir tal coisa depois de tantos anos de exclusão, mas é certo que estamos acompanhando um evento dominado por homens, onde, nós, mulheres não temos vez, nem chances. Nem se quiséssemos. Apesar disso, podemos destacar algumas coisas interessantes que estão acontecendo.

Além de começar a nos interessar, a pesquisar, a falar e a torcer, também temos alguns exemplos interessantes, O Fox Sport 2 escolheu um grupo de mulheres para comentar os jogos. Isso é inédito na televisão brasileira. E elas estão arrasando nos comentários. Além disso a seleção feminina de futebol foi HEPTAcampeã na Copa América esse ano – Para a mulherada não tem chororô de HEXA né, somos HEPTA –  mas porque não escutamos falar sobre isso?

Porque nos deixaram cuidando das crianças e dos maridos.

Hoje minha namorada me deu a dica de escrever sobre a Copa – aqui estou – ela, também, me enviou esse twitte da Renata Corrêa, do Como Não Ser Um Machista Babaca. Que me deixou impactada. Então, gostaria que vocês refletissem sobre isso também.

Twitte da Renata Corrêa com dizeres "A mina do Fox Sports disse que 7 dos titulares da seleção foram criados apelas pela mãe, sem pai.

Isso mesmo, 7 de 11 jogadores não foram criados pelos pais, ou seja, enquanto os homens estavam crescendo profissionalmente, se divertindo, assistindo futebol, encontrando os amigos, as mulheres estavam em suas jornadas duplas, a de provedora e de cuidadora. É estranho falar de representatividade feminina dentro de um evento que é todo composto por homens, mas é fato que as mulheres dão a base e o suporte para esses homens estarem lá. São as mulheres que ficam com o trabalho árduo, mal pago e pouco famoso, mas muito importante.

Está na hora de pararmos para pensar. Quem ficou com o trabalho mais difícil? Quem merece relevância e respeito? Quem merece salários dignos? Katrine Marçal fala sobre isso no seu último livro – O lado invisível da economia.

gif de uma técnica mulher comemorando durante uma partida

A questão é, representatividade importa assim, mas além disso nós precisamos de direitos e oportunidades iguais! Devemos poder fazer nossas próprias escolhas, sem medo de sermos taxadas, rotuladas ou assediadas.

Por um mundo onde as mulheres possam estar onde quiserem!

 

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12 respostas para “Representatividade Feminina na Copa”

  1. Ser mulher não é fácil, faz mil coisas durante dia tentando conciliar a vida de profissional e mãe e no fim é dito que ela fez apenas ‘a obrigação’. Representatividade importa sim e Deus queira que nas próximas gerações mulheres não sejam subjugadas pelo sexo e que possam ser tudo o que quiserem sem ter que fazer o triplo do caminho que o homem faz.
    beijos

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    1. Siiim! Concordo com tudo que você disse e fico feliz por encontrar pessoas que pensam assim também. De fato, não é fácil ser mulher, você viu o tanto de jornalista que estão sendo assediadas por homens la na Copa? Elas ralaram o triplo para estar la e ainda tem que passar por isso, lamentável

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  2. Não temos representatividade no Mundial porque as pessoas interessam-se mais pelo futebol masculino do que pelo feminino. No ténis, por exemplo, é também a mesma coisa, daí os tenistas masculinos serem mais bem pagos do que as tenistas. Não concordo com esta disparidade, mas não podemos exigir que uma mulher receba tanto quanto um homem se ela tem menos patrocínios, menos visibilidade, etc (as modelos femininas recebem mais do que os modelos masculinos precisamente por esses critérios). A culpa nem é bem do desporto em si e sim das pessoas que não se importam e não assistem às partidas femininas.
    Ainda há muita coisa que tem de ser mudada, desde os próprios comportamentos machistas dos futebolistas (como dizerem para uma fiscal de linha ir lavar a loiça) aos comportamentos machistas dos adeptos. Este Mundial está a ser muito negativo nesse sentido, com homens brasileiros, colombianos e argentinos a terem atitudes misóginas com mulheres estrangeiras. Enquanto essa postura prevalecer, nunca seremos encaradas com a seriedade necessária para termos relevância no desporto.

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    1. Sim, você tem razão, os salários são baseados em patrocínios e os homens acabam tendo mais. E isso tem muito a ver com aquela história de que a mulher é mais “frágil” e menos competitiva.

      Homens do mundo inteiro e principalmente os latino americano estando tendo condutas deploráveis (imagina como é estar aqui e conviver com eles todos os dias) e isso é uma vergonha para nós!

      E o que podemos fazer para que isso mude?

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  3. hoje eu vi um tweet que dizia: a família tradicional brasileira é composta por uma mãe negra e uma vó que cuida da criança pra mãe trabalhar.
    eu pensei É ISTO!!

    tanta coisa a se pensar, né?
    reflexão sempre muito necessária 🙂

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    1. Siim! É isso mesmo, a avó costuma ser o suporte que a mãe precisa, principalmente quando o cara “some”. Minha avó foi incrível, a gente ficava com ela quando minha mãe e minha tia iam trabalhar ❤

      Temos muito o que pensar ainda 🙂

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  4. Pois é, eu também não sou fã de futebol, mas gosto dessa vibe da copa, porém é um evento machista em muitos níveis diferentes, o que me deixa bem triste. Porém, pela primeira vez eu vi pessoas debatendo sobre a representatividade (ou a falta dela) do futebol feminino e também discutindo sobre o assédio, já que infelizmente houve aquele caso asqueroso de assédio de homens brasileiros a uma mulher russa e agora também refletindo sobre o abandono paterno, outro grande problema muitas vezes ignorado no mundo em que vivemos.
    Talvez esse seja o primeiro passo para que a sociedade comece mudar esses conceitos tão desrespeitosos e opressores, esperamos que nossa mensagem possa ser ouvida com compreensão e que tenhamos um futuro mais igualitário e justo,

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